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31 de dez. de 2011

Crônicas

Especial de Ano Novo ou quase isso
Estive pensando estes dias em escrever uma crônica ou uma observação especial de fim de ano. Mas o que eu ia dizer?
Poderia falar dos aparentes avanços sociais e econômicos do Brasil, de futebol, do meu bom ano, enfim... Também poderia fazer o contrário: criticando essa nossa educação que em vez de progredir, parece regredir; criticar o baixo nível do futebol brasileiro; e a falsidade de algumas pessoas que fui obrigado a suportar este ano.
Poderia ainda desejar a todos um 2012 fantástico onde tudo que queiram conquistem etc, etc, etc. Mas isso seria muito clichê para mim.
Mesmo porque não acredito em fim e começo de ano, é tudo meio estranho os nossos rituais terminalístico (aí Bartolomeu um neo pra ti) e começológico (outro) como trocar a agenda, jogar os papeis velhos desnecessários que guardamos o ano inteiro para só jogá-lo ao término do ano como se de uma hora para outra teriam alguma utilidade antes, novas perspectivas de trabalho, estudo, enfim: os mesmos rituais de sempre.
A impressão que tenho é que realmente o único momento para se fazer isso é o começo ou fim do ano, como se os projetos, e por que não a vida, só podem ser transformadas em datas específicas.
Será que a vida se tornou tão chata e previsível que temos que marcar datas para tudo? Será que até para uma transa casual teremos que marcar datas? (preciso compartilhar o que acabo de ver ao escrever “transa” no meu Word 2007: ficou com aquele tracejado verde de sugestão de mudança de palavra, sabem o que sugeriu? “Relação amorosa” como este Word é româtico) Ou pior confundirmos espontaneidade com imbecilidade?
Não sei se devem responder estas perguntas, eu é que não o farei, é chato responder, legal é perguntar.
Fiquem bem.
Um Beijo do Magro, fui...
Michael Bonadio

4 de dez. de 2011

Crônicas


Sócrates vive
Acordei esta manhã muito triste com as notícias de que meu tio Luizinho e Sócrates haviam morrido.
No que se refere ao meu tio sua importância para mim, aos olhos de minha família, poderia até parecer imperceptível. Porém minha mãe sempre o tratou como segundo pai sendo assim quase um avô para mim. Não me lembro de tê-lo visto de mau humor, pelo contrário, sempre sorridente, alegre e o mais importante: me tratava com carinho. Eu meio caldo talvez nunca demonstrara o amor e o carinho que sentia por ele, mas este era e será sempre verdadeiro.
Poderia dedicar poucas palavras ao Sócrates, pois sua importância e genialidade é indiscutível. Mas vou abordar algumas coisas que passaram despercebidas por parte da imprensa e talvez por muitas outras pessoas.
Ele não foi só um jogador, mas com certeza um dos poucos bons e verdadeiros exemplos do que deve ser um jogador de futebol. Habilidoso com a bola, um intelectual com as palavras e Dr. de profissão.
Nunca foi vaidoso e suas opiniões sempre ficaram fora da grande mídia por “versar” contra as incongruências do futebol e da vida, que para ele, e para mim também, não se separam e sim se completam.
Um dia me surpreendi com a aparição dele no CQC, algo incomum para ele que sempre evitou os grandes meios de comunicação (melhor dizendo, os grandes meios é que sempre o evitou). Além deste também participou do Agora é Tarde da mesma emissora e de um outro programa popular da Rede TV que não sei o nome. Por qual motivo ele participaria destes programas tão midiáticos e com “conteúdo” tão abaixo deste homem tão genial?
Hoje refletindo sobre como e o que escrever neste texto tive um pequena “luz”. Suas idéias, pensamentos e opiniões não podiam se perder e para isto teria que aparecer, pois com isto e por ter sido ídolo da mais popular torcida do Brasil as pessoas que só conheciam suas grandiosas jogadas poderiam se interessar também por suas idéias geniais.
Talvez ele como um ser diferenciado percebera que sua hora estava por chegar e sabia que suas lutas não poderiam morrer com ele e foi à luta para tentar alcançar o maior número de pessoas que conseguisse.
Quem sabe os jogadores atuais mirem-se em seu exemplo e deixem suas vidas medíocres de só futebol, mulher e gandaia (outros igreja) e passem a pensá-las de maneira mais reflexiva e percebam que o mundo que os cercam é enganoso, maldoso, que suas opiniões, se é que eles a tem, podem ajudar a mudar a vida das pessoas.
Sei que este texto mal traçado não é digno das pessoas que homenageio, mas é sincero.
Geralmente me despeço destes textos com um bordão Um beijo do Magro fui..., mas hoje direi:
Um Beijo pro Magrão...

19 de out. de 2009

Primeirus excriptums

Aqui vai o primeiro conto que escrevi; logicamente já havia escrito coisas parecidas com contos durante minha vida estudantil em redações para escola. Porém este é o primeiro que fiz com a intenção de ser um conto. Confesso que não é lá grandes coisas, mas é meu.
Conto Primeiro
I
Normalmente, nas fazendas de mil oitocentos e alguma coisa tem senzalas e uma “casa central”; na senzala escravos e na casa os seus senhores. Correto?
A fazenda de que vou falar não é diferente.
Nas senzalas, apesar das condições precárias, os escravos tentavam manter suas crenças e tradições. Em uma dessas senzalas sobrevivia um senhor conhecido como “ancião José”, o mais velho de todos; era tão velho que não sabiam sua idade. Era ele o maior responsável por passar para as gerações que vinham as tradições de sua terra natal, pois era o único filho da África.
Ancião José tinha muitos “netos”; o mais forte deles era Joaquim. Tinha lá seus vinte anos e adorava as histórias de José; com elas se sentia livre. Ele nunca escondeu seus sentimentos pelos brancos:
– Os odeio! São todos ruins; nos prendem, nos maltratam, nos matam. Assim que puder fujo.
Na casa morava um jovem casal. Ele chamava-se Pedro e tinha vinte e três anos; ela chamava-se Elisa e tinha dezoito. Tinham ganhado a fazenda de presente de casamento.
Era um casal na medida do possível feliz; e como todos os brancos da época não gostavam de negros. Ela gostava menos ainda, pois seu pai havia sido morto por um negro fugitivo.
II
Num dia de outono, Elisa iria passar um fim de semana na casa de sua mãe. Porém o escravo que guiava o carro tinha caído doente.
– Precisamos de um escravo de confiança, disse Pedro.
– Nenhum negro é confiável, respondeu Elisa.
Pedro sabia que Joaquim era um rapaz destemido e inteligente; tinha facilidade em aprender e principalmente se destacava por ser um negro que questionava as suas condições. Já tinha ido para o tronco varias vezes; era uma ameaça para Pedro, pois mais cedo ou mais tarde poderia provocar uma fuga em massa. Para mantê-lo longe, mesmo por alguns dias, o obrigou a levar Elisa.      
Ainda no mesmo dia partiram; eram um pouco mais de uma da tarde. Joaquim nunca havia saído da fazenda, mas Pedro que não poderia ir, ensinou o caminho.
Chegando numa bifurcação teve dúvida de por onde seguir. Apesar de receoso perguntou a sinhazinha:
– A senhora que já deve ter vindo muito por aqui, deve saber o caminho, não sabe?
– Ora seu negro idiota! - disse ela - Não sou eu que tenho que saber estes detalhes; simplesmente quero chegar à casa de mamãe.
Mesmo com vontade de matá-la, ele seguiu o caminho que lhe pareceu mais correto.
III
Com o passar do tempo Joaquim percebeu que estava perdido numa floresta. Quando Elisa, também percebeu, começou a agredi-lo verbalmente: “nego” cretino, imundo e idiota. Ele tentou manter a calma, mas não conseguiu:
– Sua branquela nojenta! Se não ficar quieta não vou conseguir tirar a gente daqui!
Estava escurecendo e Joaquim achou melhor passar a noite no local para que de manhã pudessem encontrar o caminho de volta. Elisa, com toda prepotência, relutou – Onde já se viu uma sinhá dormir tão perto de um negro? – Mesmo assim tiveram que dormir lá; ela no carro e ele no chão.
Ao amanhecer, Elisa percebeu que Joaquim não estava perto dela; ficou com medo, mas logo ele apareceu trazendo o que comer.
– Ainda bem que trouxeste algo para comer, assim quem sabe te livras da chibata.
– E quem disse que é pra “vois micê”?
– Pois se tu não me alimentares mando-te a morte.
– Aqui “vois micê” não é nada; se quiser comer se arranje sozinha, ou então, espere e veja se sobra alguma coisa que peguei.
Antes de o sol chegar ao centro do céu, começaram uma “fuga” sem rumo.
IV
Passaram-se alguns dias e devido à situação inusitada os dois acabaram se aproximando e começaram a cuidar um do outro, mesmo que não admitissem para si mesmo.
Em busca por água aconteceu um acidente onde morreram os cavalos e perderam-se algumas das roupas dela. Isso fez com que finalmente se respeitassem:
– Agora vejo que estava errada - disse Elisa.
– Como assim? - indagou Joaquim.
– Nem todo negro é ruim.
– É. Também penso eu assim!
– Não entendi?
– Sempre pensei que um branco jamais poderia ser bom.
– Mas os brancos são bons e superiores.
– Bons? Superiores? Que bondade é essa que destrói um igual de vida?
– Nós não somos iguais a ti.
– Pode até ser, mas foi o Deus de “vois micê” que fala: “amai o próximo como a ti mesmo”.
V
Como não gosto de enrolar vou pular para quando os encontraram.
Era um dia bonito, Pedro e alguns capangas que já os procuravam há algumas semanas, encontraram-nos perto de um rio. Sem muita conversa o sinhozinho já ordenou:
– Levem-no para o tronco.
– Por quê? - perguntou a moça desesperada.
– Por te desapareceres por dias.
Ela ficou sem reação; Joaquim levou quinhentas chibatadas e morreu três dias depois.
Porém após sua morte o comportamento de Elisa mudou...
Muitos negros fugiram...
Agora tu verás minha primeira crônica. Na verdade era para ser um conto, porém uma ex-professora, que o corrigiu, me disse que era uma crônica. Quem sou para contestar?
Mijando nas Calças
Por fim, mostrarei não exatamente minha primeira poesia, mas uma delas, a escolhi por ser uma das mais razoáveis desta época.

Os três foram escritos no mesmo período, lia pouco, mas tinha muita coisa na cabeça. Os próximos trabalhos (semanalmente publicados) serão mais razoáveis. Prometo.